Da terra encantada, somente desejo e nostalgia...
Guirigó olhou o horizonte e se sentiu como naqueles filmes carregados de drama. Mas o clichê da cena nada tinha de engraçado, a falta que seu povo lhe fazia era real. Não havia mais as goiabeiras à aterem admiração e nem as meninas dos sorrisos e seus vestidos singelos que lhe arrancavam êxtase e agonia, nem o fogo da mulher vizinha, não havia mais nem a chuva em terra que em lama se fazia piscina, muito menos a doce sensação de ser apenas Guirigó, o encapetado, a peste de menino sem futuro. Agora, o futuro lhe batia a porta com amargo sabor, e a náusea o acometia como único meio, mas era já o fim!! E Guirigó bem sabia...
Seus músculos débeis não mais sustentavam o riso e o rosto envelhecido não escondia tamanho temor.. e Guirigó bem sabia, era já o fim...
Os olhos deslizaram para a parte mais alta do céu e em seguida esboçou um pedido à algum deus do qual ouvira sempre falar. Mas tudo, para ele, era apenas estranhamento. Repousou, então, o olhar para além das coisas vistas: meio segundo de silêncio, antes que o mundo lhe revolvesse novamente o estômago.
Guirigó sentiu-se só e resignado... queria um deus também.
Porém, o que lhe veio fora apenas a ânsia de escrever o primeiro e único poema de sua vida.
“Caminharei com os pés descalços, pois os velhos e desgastados sapatos, já não me trazem mais a ilusão de um triste conforto.
Caminharei com estes sóbrios pés, com toda dor e paixão que à eles são ofertados por cada coisa que lhes rasga as solas.
O sangue coagulará, e pela terra transbordado, transformará meu percurso em peregrinação.
No fim... não serei mais eu, e não serão mais meus pés.”
Guirigó olhou o horizonte e se sentiu como naqueles filmes carregados de drama. Mas o clichê da cena nada tinha de engraçado, a falta que seu povo lhe fazia era real. Não havia mais as goiabeiras à aterem admiração e nem as meninas dos sorrisos e seus vestidos singelos que lhe arrancavam êxtase e agonia, nem o fogo da mulher vizinha, não havia mais nem a chuva em terra que em lama se fazia piscina, muito menos a doce sensação de ser apenas Guirigó, o encapetado, a peste de menino sem futuro. Agora, o futuro lhe batia a porta com amargo sabor, e a náusea o acometia como único meio, mas era já o fim!! E Guirigó bem sabia...
Seus músculos débeis não mais sustentavam o riso e o rosto envelhecido não escondia tamanho temor.. e Guirigó bem sabia, era já o fim...
Os olhos deslizaram para a parte mais alta do céu e em seguida esboçou um pedido à algum deus do qual ouvira sempre falar. Mas tudo, para ele, era apenas estranhamento. Repousou, então, o olhar para além das coisas vistas: meio segundo de silêncio, antes que o mundo lhe revolvesse novamente o estômago.
Guirigó sentiu-se só e resignado... queria um deus também.
Porém, o que lhe veio fora apenas a ânsia de escrever o primeiro e único poema de sua vida.
“Caminharei com os pés descalços, pois os velhos e desgastados sapatos, já não me trazem mais a ilusão de um triste conforto.
Caminharei com estes sóbrios pés, com toda dor e paixão que à eles são ofertados por cada coisa que lhes rasga as solas.
O sangue coagulará, e pela terra transbordado, transformará meu percurso em peregrinação.
No fim... não serei mais eu, e não serão mais meus pés.”